sábado, 7 de fevereiro de 2026

 

                 O MACHADO DE ASSIS MARANHENSE

 

             



           V
ejam só como este mundo é pequeno, atos e fatos das pessoas se entrelaçam. Quem haveria de saber, talvez até pudesse adivinhar, que existem teorias estranhas, como a tal controvertida Vidas Paralelas. Observem que a teoria não é tão despropositada, pois até Goethe, aquele afamado escritor e filósofo alemão, acreditava que a alma humana evolui ao longo do tempo, o que demonstrou em seu livro Afinidades Eletivas. Neste livro, Goethe aborda esse misterioso tema.

Observe-se, entrementes, outra singularidade que ora reconhecemos. Machado de Assis, escritor carioca de raras qualidades literárias, viveu de 1839 a 1908, quando faleceu. Enquanto Astolfo Marques, maranhense, coincidentemente, viveu na  mesma época, nascido em 1889 e falecido em 1908, portanto Machado viveu 69 anos, enquanto Astolfo apenas 42 anos.

Ora, não cessam ai as circunstâncias entre os dois,  ambos eram negros, nasceram de famílias pobres, não frequentaram colégios, eram autodidatas e o que é mais interessante, ambos se dedicaram às letras, com êxito, conquanto não se possa comparar, em termos literários, Machado com   o maranhense desconhecido, Astolfo Marques. Os dois, entretanto, assumiram cargos na administração pública,  Machado que fundou a Academia Brasileira de Letras, enquanto Astolfo, se não foi fundador, desde o início pertenceu a recém-fundada Academia Maranhense de Letras.

Segundo se depreende do livro A Nova Aurora, de 1913, seu autor Astolfo Marques, novelista maranhense, narra fatos ocorridos em São Luís, após a Proclamação da República, daí seu livro  ter sido considerado um marco importante na historiografia política brasileira, pelas ocorrências havidas na capital maranhense, provenientes da violência das autoridades aos  oponentes da novel República, os quais se opuseram ao novo regime e a queda da Monarquia. Assim o livro A Nova Aurora, a título de embevecer o regime  recém  implantado, em certos aspectos acaba apontando os efeitos negativos do regime recém implantado no País.

É de vê-se que jamais o velho Bruxo de Cosme Velho ousaria fazer jogo duplo, ele funcionário público de prestígio perante o Imperador, embora subrepiticiamente criticasse aspectos do regime, inclusive com  críticas subliminares  nas suas crônicas jornalísticas diárias.

Mutatis mutandis, isto não nos impede, também como cronista cotidiano neste portal livre, de apontar certa similitude entre os dois negros literatos, um carioca e outro maranhense, quiçá representando          a festejada Atenas Brasileira.

Ambos — de origem pobre e autodidatas — ousaram provar que o verdadeiro intelectual nem sempre se encontra nas Universidades, nos veios da alta roda onde prelibam os sábios arrogantes. Muitos dos mais autênticos hommes-des-letres,  os verdadeiros escritores, vencem por si mesmo e com grandeza de caráter forjam seu lugar ao sol.

                                                        Bsb, 7.02.26

 

                 

 

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026


                                 UM  BESOURO CONTRA A VIDRAÇA DO MUNDO?

 

 

 

 

Enquanto um besouro está preso numa vidraça — título do único romance do prolífico poeta J.G. de Araújo Jorge, ai pelos anos 1945, nosso mundo, nosso País encontram-se, um e outro, por incrível que pareça,  igual um besouro, preso nas malhas de uma prisão enigmática. Os governos mundiais parecem desnorteados  e as nações sob o signo do desespero.

Será que os humanos perderam o senso da razão — besouros encalhados à frente de vidraça política, traumatizados, as nações sob a mira da destruição?

O Oriente a se desentender com o Ocidente, embora sempre se desentendessem, mas não tão perfunctoriamente como o estão hoje, a ponto de saírem para a troca de armas — a Terceira Guerra Mundial. Ouvem-se inclusive já os insultos da Rússia, através de seu arrogante signatário. O Irã, outrora nação dignatária de elogios, hoje presa às garras de um governo tirânico, a ponto de aterrorizar o Oriente Médio, conquanto promova o aquartelamento de força, ontem humilhada, hoje um arsenal de bombas e artefatos de guerra moderníssimos, a usar suas mortíferas máquinas de guerra.

Enquanto isso os Americanos, espécie de escudo da Democracia a ressentirem-se e portanto no direito de agir, à vista da brutalidade dos encontros  dessas nações, Irã e Isrrael — agora não mais mediador, mas gladiador cuja vitória na luta  talvez jamais venha a alcançar.

Entrementes, no nosso continente, outra luta se nos apresenta, que seria como nos livrar do maquiavelismo político gerado pela proliferação do proselitismo político criado pelo socialismo ateu, apelidado eufemisticamente de democracia social, universalismo e outros que tais, na realidade a ideologia comunista, sob a forma sofística de melhorar o mundo com sua  ideia de libertação das garras do capitalismo.

Aliás, a Venezuela, nossa parceira latina, acaba de libertar-se do tacão da esquerda de um chefete, cria de outro chefete anterior, através de ação épica dos Estados Unidos, que  captura o estouvado ditador — hoje respondendo processo em prisão americana.

Eis o cenário a que hoje assistimos, nós aqui do Brasil fronteiriço da Venezuela.

A propósito, não cantemos tanta vitória antes do tempo, pois não estamos ilesoSç, social e economicamente, dos destemperos ocorridos nesse nosso novo velho mundo. Se não chegamos a esta situação de termos um chefete sendo arrancado à força bruta do poder, digo-vos — oxalá o tivéssemos. Nosso País encontra-se mais ou menos à deriva em ano pré eleitoral. Temos cenários estapafúrdios a nos tirar, não propriamente do sério, mas ficarmos de preventiva  atenção. Nossa situação social e política merece cuidado. Estamos sob um governo dito democrático, mas sob vigilância intermitente de um poder supremo de justiça. Estamos, por assim dizer, sub-judice a essa corte suprema de justiça, o povo vigiado de certa forma. Temos um ex-presidente encarcerado sob alegação de ter atentado contra o estado de direito do País — fato estranhável, pois esse mesmo estado de direito motiva o desrespeito à liberdade, manda prender sem o devido processo legal e em última instância agride o Parlamento.

Não há negar, vivemos neste fantástico mundo semi-científico, mais em situação de penúria em termos de intelecto, moralidade, eficiência econômica, razão que nos leva a dizer que estamos, sim, a pique de perdermos até mesmo nossa individualidade. Aliás, não só em nosso Pais, quiças no mundo todo.

Será previsão de que já assistimos os primeiros sinais do Apocalipse, os horrores do Armagedon?

É o que vislumbramos nestes primeiros passos do ano 2.026. Oxalá sejamos dotados de força e coragem suficientes para suportar esse furacão de atos e fatos, esse vendaval de estroinices praticados por aqueles que se dizem ser homo-sapiens, assim como mulher-sapiens, como foi dito.

É o que temos a dizer e que o Senhor do Universo tenha piedade de nós.

                                                                    BSB, 4.02.26