ELES — OS SAPATEIROS
LITERÁRIOS
Não há negar — boa parte da suposta
intelectualidade brasileira sofre de amnesia cerebral
Ora, que certos cantores se exibam
nos palcos e exortem suas afinidades políticas e sociais, para aumentarem seus
cachês e agradarem pessoas e elites — que o façam, é normal. Mas certo
literato, a empunhar títulos e prêmios literários, por sua verve, vir a público
pedir votos para certo candidato, envolvido em ações predatórias da
administração pública — é o cúmulo.
O ato não só é abominável, mas também
desordenado, a pessoa não saber conter-se na sua
excentricidades, ser aético por fim. Talvez se justifique, pois nossa cultura
encontra-se nas mãos de pessoas inaptas e ineptas, a insensatez viralizando
em escolas, universidades, teatros e
tudo quando se define como arte, a cênica inclusive — tudo e todos aqueles que
a fazem e delas se aproveitam para aderir
ao velho ortodoxo marxismo, chavão que já se perdeu no tempo, expurgo do
lixo da história.
Vejam como o País afundou-se na
absurdidade desses novos tempos. Que contradição, quando, por exemplo,
destacamos nas páginas de nossa história — homens e mulheres de alto nível
literário, Monteiro Lobato, João Francisco Lisboa, Érico Verissimo, Cecília
Meirelles, Lygia Fagundes Telles.
Para não nos esquecer de um dos
insignes mestres da escritura literária — o velho e impoluto Machado de Assis
que soube manejar essa arte com absoluta
eticidade e bonomia, nunca deixando seu estro decair, mesmo vitimado
algumas vezes pela inveja de alguns, seus supostos inimigos.
Certa feita, na Grécia antiga, um
escultor renomado fazia suas esculturas, mas sempre era criticado, nada menos que
por um simples sapateiro. Um dia para provar até onde ia a peçonha ditada pelo
sapateiro, ele erigiu uma obra prima de beleza, exibindo-a ao público. Veio o
tal sapateiro e colocou defeitos e mais defeitos — Fídias (480 aC), o memorável
escultor grego, saltou das sombras e disse: “Sapateiro, nunca critique o que
não sabes, tu não passas de um reles fazedor de sapatos!”
Amigo, se segues o caminho do
pragmatismo literário, o socialismo barato, cuida apenas do que sabes fazer —
coser sapatos literários.
Bsb, 22.10.26





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