OS NOVOS
TRAPEIROS DE EMAÚS
Murilo Moreira
Veras
Fatos
dos mais interessantes — após a crucifixão de Jesus Cristo — consta da narrativa de Lucas 24.13-34.
Os apóstolos encontravam-se desnorteados. O Mestre havia ressuscitado, mas seus
seguidores todos temerosos, devido as perseguições dos romanos e dos sacerdotes
judaicos.
É
neste clima que dois apóstolos, um deles Cleofas,
encontram-se a caminho de um lugarejo chamado Emaús a quinze quilômetros de Jerusalém. O assunto entre os dois
ainda é a crucifixão do Mestre. Eis que aparece Jesus e se reúne aos dois, sem
que eles o reconhecessem. O estrangeiro, o próprio Jesus, começa a conversar
sobre o rumoroso caso, esclarecendo fatos a ambos.
Jesus
havia ressuscitado, tudo se tornara vazio, os apóstolos assustados, sem
orientação, seu Mestre desaparecera, não sabiam o que fazer.
Se
trasladarmos esses fatos sob a ótica de nosso tempo — o que significa?
Ora,
nós sabemos que todo o sistema civilizatório foi transformado pelo
cristianismo. A civilização se sobrepôs aos atos de barbárie existentes na
antiguidade, absorvendo os fundamentos da moral, da ética e da estética, sob os
auspícios da fé cristã.
Inobstante
isso, o cristianismo, por incrível que pareça, apesar de ser primazia no
cômputo global, mais da metade da população mundial — mesmo assim tem se
tornado vulnerável diante do crescimento das ideologias, das quais sofre
ataques de todas as formas.
Eis,
sub-repticiamente, o que pode ter grande significado, para nós, cristãos, esse
fato extraordinário ocorrido com os Trapeiros
de Emaús, seu medo, os cristãos hoje, desconfiados, fraquejando em sua fé,
devido a corrupção vigente do mundo.
Quantas
e quantas vezes nós, os cristãos não vacilamos na fé, não pecamos, temos
incertezas, praticamos esse ou aquele pecado, até mesmo por omissão.
È
nesse ponto que, a nosso ver, como também cristão vacilante e cheio de
defeitos, que nos vemos hoje como os Novos
Trapeiros de um outro Emaús.
A
Igreja Católica recentemente tem nos advertidos de que precisa se modificar,
ser mais consciente dos problemas do mundo, ser mais cosmopolita, acatar certos
eufemismo, hoje viralizando, como a Teoria da Libertação, o ecumenismo, o
universalismo tão badalado pelos nossos ideólogos, Gaia Ciência, aquecimento
global e quejandos. É o que a Igreja vem denominando de sinodalismo — o tal Caminho
Sinodal.
Não
somos muito condizentes com essas novíssimas reformas da fé católica. Pensamos
que o tal caminho sinodal — seria mais uma forma de acolher a filosofia
representada pelo o místico evento ocorrido com os Trapeiros de Emaús.
O
de que o cristianismo precisa, seus praticantes, pastores, filósofos e servos
atuantes para o melhoramento do mundo, não em termos absolutos, mas de torná-lo mais plausível em meio a essa
tempestade de modernização, não exatamente um suposto caminhar juntos, mas de mais espiritualidade dos cristãos,
compreensão, principalmente para nos tornarmos mais compatíveis com a nossa
realidade.
Somente
dessa forma acreditamos melhorar nossas vidas num mundo alucinado por magias
encantatórias, fórmulas visionárias — e evitar que os aventureiros atávicos de
primeira hora nos transformem em robôs ou por eles sermos comandados, a
propósito de construir uma civilização
cruel, desumana e extremamente
maquínica.
Bsb, 21.04.26

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