sexta-feira, 1 de maio de 2026


                                     DA MULTIPLICAÇÃO DOS PÃES

                     AOS FAZEDORES DE TUDO

 

 

 

O admirável Mundo Novo de Aldous Huxley está se tornando cada vez menos admirável, ao contrário, até mais enigmático cujos resultados beiram a absurdidade. O formalismo kantiano parece ter implantado no mundo um modelo apriorístico de desumanização.

Preterido pela armadura da intuição sensível, o ser humano abre sua guarda natural para perder a luta contra o empirismo cientificista. Esse novo ser humano que se propõe uma espécie de Fênix a renascer das cinzas de um naturalismo simbólico não nos reabilita ao renascimento de um Novo Mundo, mas, sim, uma nova utopia, a da criação  do homem maquínico, cada vez mais desprovido de intuição, formatado  como modelo ideológico, ao mesmo tempo, construtor e demolidor pelo seu contingenciamento, ele próprio guardião de sua existência, aprioristicamente definido.

A partir deste fenômeno formal da razão que não se restringe mais ao conhecimento sensível e intuitivo, esse novo paradigma da modernidade se predispõe regular as desigualdades sociais, culturais e conjunturais  — é o processo de massificação do mundo, o igualitarismo funcional, isto é, a troca da liberdade pela alienação. É o estatismo apanágio da felicidade humana, ao assumir nossas necessidades, da existência à conveniência, da imanência como demolição da transcendência. O mundo passa a ser um campo de batalha, para cuja luta nos apresentamos destituídos  dos artefatos de defesa, porque o Estado nô-los roubou. Estamos desamparados e indecisos, servos encarcerados, incapazes de exercermos o exercício do livre arbítrio e da nossa consciência.

Será que nos conscientizamos do que ocorre conosco e com o mundo? A transição que dizem estamos atravessando nos levará para onde? Há dois milênios e mais na antiga Galileia, à beira do Mediterrâneo, em meio a pedras e relva nativa, uma multidão  se reunia para ouvir as palavras de um profeta humilde, acompanhado de seus discípulos, a maioria pobres incultos pescadores. O homem se chamava Jesus — o Mestre Jesus de Nazaré.

Compadecido com a multidão — cerca de cinco mil pessoas – reunida ali, tanto tempo,  sem comer, o Mestre ordenou a seus discípulos que alimentassem aquela multidão. Mas como, se eles só tinham 5 pães e 2 peixes? Então Jesus tomou os cinco pães e os dois peixes, abençoou-os e mandou que os discípulos distribuíssem à multidão. O fato extraordinário está escrito nos Evangelhos como “A multiplicação dos Pães”.

Os partidários das ideologias da esquerda distorcem o fato de o Mestre ter multiplicado os pães como tendo sido um gesto de partilha, de distribuição não só de pão, mas de bens, espécie de ação igualitarista à guisa e de fraternidade. Essa concepção tem sido manipulada maldosamente pelos áulicos do socialismo — imputar o milagre da multiplicação dos pães como  a distribuição dos bens de produção. Com isto eles desvirtuam a palavra do Mestre e toda a teologia cristã. Justificam o comunismo no mundo como apanágio civilizatório.

Certos supostos comunicadores midiáticos têm se aproveitado das palavras do Papa Francisco, de passada memória, de forma inclusive descontextualizada. Aconteceu com certa homilia daquele Papa em visita feita à Bolívia no dia 15.07.15, em Santa Cruz, onde ele a certa altura teria dito algo com esse sentido, desvirtuando as palavras de Jesus, consoante os Evangelhos (Mt.14,13-21 e 15,29-31, Mt. 6,30-10 e 8; 1-13, Jo 6,1-13 e Lc.9 10-17). Eis o que disse o Papa Francisco, à época: “... Por meio destas ações de tomada, bênçãos e entrega, Jesus conseguiu transformar a lógica de descarte numa lógica de comunhão de comunidade...”

 Ora, lógica de comunhão de comunidade não quer dizer necessariamente, como imputam os ideólogos marxistas, distribuição ou , repartição planejada,  distribuição compulsória de bens materiais — ou seja, ação socialista quanto aos bens de produção e consumo. A palavra do Papa Francisco foi virtualmente distorcida.

O Mestre que tinha origem divina em seus ensinamentos versava sempre sobre o bem e a justiça, a ponto de ter se sacrificado em favor da redenção da humanidade, inclusive confirmando as profecias do Velho Testamento.

É assim que caminha a humanidade em sua evolução — ou involução, espécie de vertigem progressista, tão enigmática quanto desumana. O mundo cada vez mais sob o viés tecnológico, com que se desvia da transcendência, apegado ao materialismo desumanizante.

Se  avançamos tanto em progresso material, por que grassa tanta fome no mundo? A cada 3 segundos uma pessoa morre de fome — 1/3 de alimento produzido vai para o lixo.

Esse é o levantamento feito pela ONU. Segundo o Instituto de Investigação de Política Alimentar, órgão ligado à FAO, em 2010 — mais de um bilhão de pessoas, cerca de 7% da população mundial passa fome (dados de 2.O10) , sobretudo na África Subsaariana e Sul da Ásia.   

Entrementes, o ritmo de crescimento populacional do mundo é de 53% — em 20100 seremos 11,2 bilhões de pessoas habitando nosso planeta Terra.

Qual a situação do Brasil? Segundo o PNAD — Pesquisa Nacional de Amostras de domicílio, sobre segurança alimentar, em  2013 (e já estamos em 2026) a população brasileira era de 200,4 milhões, segundo o Banco Mundial. Ou seja, mesmo com esse apanágio de maravilhoso mundo brasileiro do PT, nesse governo 3,5% de brasileiros ainda passam fome.

Eis o quadro tempestivo da fome no mundo — fome essa proveniente da condição de quase pobreza eterna dos habitantes terrestres.

Vejamos alguns dados que nos dá ma ideia da insensatez da política proveniente desse furor de progresso e tecnologia.

Metade da população mundial vive com menos de dois dólares, ou seja, 2,8 milhões, 20% da população mundial vive com MENOS de um dólar por dia! Já em nosso País, conforme dados oficiais do Ministério de Desenvolvimento e Combate à Fome, em 2011, informava 16,27 milhões de brasileiros vivem ainda em  extrema pobreza, com renda abaixo de R$70,00!

Não serão esses os supostos “fazedores de tudo”?  Em entrevista à revista Veja de 2.09.15 — já escoam onze anos — certo tecnólogo dentre desse grupo de supostos transformadores do mundo, proclamou que no futuro próximo, máquinas surrealistas substituirão os atuais artefatos de produção e hão de produzir de tudo: casas, móveis, produtos de consumo — e quem sabe também seres humanos!!!

Mas resolverão o problema da fome no mundo?

E como hão de saciar a fome espiritual dos humanos?

 

                                                        Bsb, 1.05.26