DA MULTIPLICAÇÃO DOS PÃES
AOS FAZEDORES DE TUDO
O admirável Mundo Novo de Aldous
Huxley está se tornando cada vez menos admirável, ao contrário, até mais
enigmático cujos resultados beiram a absurdidade. O formalismo kantiano parece
ter implantado no mundo um modelo apriorístico de desumanização.
Preterido
pela armadura da intuição sensível, o ser humano abre sua guarda natural para
perder a luta contra o empirismo cientificista. Esse novo ser humano que se
propõe uma espécie de Fênix a renascer das cinzas de um naturalismo simbólico
não nos reabilita ao renascimento de um Novo Mundo, mas, sim, uma nova utopia,
a da criação do homem maquínico, cada
vez mais desprovido de intuição, formatado
como modelo ideológico, ao mesmo tempo, construtor e demolidor pelo seu
contingenciamento, ele próprio guardião de sua existência, aprioristicamente
definido.
A
partir deste fenômeno formal da razão que não se restringe mais ao conhecimento
sensível e intuitivo, esse novo paradigma da modernidade se predispõe regular
as desigualdades sociais, culturais e conjunturais — é o processo de massificação do mundo, o
igualitarismo funcional, isto é, a troca da liberdade pela alienação. É o
estatismo apanágio da felicidade humana, ao assumir nossas necessidades, da
existência à conveniência, da imanência como demolição da transcendência. O
mundo passa a ser um campo de batalha, para cuja luta nos apresentamos
destituídos dos artefatos de defesa,
porque o Estado nô-los roubou. Estamos desamparados e indecisos, servos
encarcerados, incapazes de exercermos o exercício do livre arbítrio e da nossa
consciência.
Será
que nos conscientizamos do que ocorre conosco e com o mundo? A transição que
dizem estamos atravessando nos levará para onde? Há dois milênios e mais na
antiga Galileia, à beira do Mediterrâneo, em meio a pedras e relva nativa, uma
multidão se reunia para ouvir as
palavras de um profeta humilde, acompanhado de seus discípulos, a maioria
pobres incultos pescadores. O homem se chamava Jesus — o Mestre Jesus de
Nazaré.
Compadecido
com a multidão — cerca de cinco mil pessoas – reunida ali, tanto tempo, sem comer, o Mestre ordenou a seus discípulos
que alimentassem aquela multidão. Mas como, se eles só tinham 5 pães e 2
peixes? Então Jesus tomou os cinco pães e os dois peixes, abençoou-os e mandou
que os discípulos distribuíssem à multidão. O fato extraordinário está escrito
nos Evangelhos como “A multiplicação dos
Pães”.
Os
partidários das ideologias da esquerda distorcem o fato de o Mestre ter
multiplicado os pães como tendo sido um gesto de partilha, de distribuição não
só de pão, mas de bens, espécie de ação igualitarista à guisa e de
fraternidade. Essa concepção tem sido manipulada maldosamente pelos áulicos do
socialismo — imputar o milagre da multiplicação dos pães como a distribuição dos bens de produção. Com isto
eles desvirtuam a palavra do Mestre e toda a teologia cristã. Justificam o
comunismo no mundo como apanágio civilizatório.
Certos
supostos comunicadores midiáticos têm se aproveitado das palavras do Papa
Francisco, de passada memória, de forma inclusive descontextualizada. Aconteceu
com certa homilia daquele Papa em visita feita à Bolívia no dia 15.07.15, em
Santa Cruz, onde ele a certa altura teria dito algo com esse sentido,
desvirtuando as palavras de Jesus, consoante os Evangelhos (Mt.14,13-21 e
15,29-31, Mt. 6,30-10 e 8; 1-13, Jo 6,1-13 e Lc.9 10-17). Eis o que disse o
Papa Francisco, à época: “... Por meio
destas ações de tomada, bênçãos e entrega, Jesus conseguiu transformar a lógica
de descarte numa lógica de comunhão de comunidade...”
Ora, lógica de comunhão de comunidade não quer dizer
necessariamente, como imputam os ideólogos marxistas, distribuição ou ,
repartição planejada, distribuição
compulsória de bens materiais — ou seja, ação socialista quanto aos bens de
produção e consumo. A palavra do Papa Francisco foi virtualmente distorcida.
O
Mestre que tinha origem divina em seus ensinamentos versava sempre sobre o bem
e a justiça, a ponto de ter se sacrificado em favor da redenção da humanidade,
inclusive confirmando as profecias do Velho Testamento.
É
assim que caminha a humanidade em sua evolução — ou involução, espécie de
vertigem progressista, tão enigmática quanto desumana. O mundo cada vez mais
sob o viés tecnológico, com que se desvia da transcendência, apegado ao
materialismo desumanizante.
Se
avançamos tanto em progresso material,
por que grassa tanta fome no mundo? A cada 3 segundos uma pessoa morre de fome
— 1/3 de alimento produzido vai para o lixo.
Esse
é o levantamento feito pela ONU. Segundo o Instituto de Investigação de
Política Alimentar, órgão ligado à FAO, em 2010 — mais de um bilhão de pessoas,
cerca de 7% da população mundial passa fome (dados de 2.O10) , sobretudo na
África Subsaariana e Sul da Ásia.
Entrementes,
o ritmo de crescimento populacional do mundo é de 53% — em 20100 seremos 11,2
bilhões de pessoas habitando nosso planeta Terra.
Qual
a situação do Brasil? Segundo o PNAD — Pesquisa Nacional de Amostras de
domicílio, sobre segurança alimentar, em
2013 (e já estamos em 2026) a população brasileira era de 200,4 milhões,
segundo o Banco Mundial. Ou seja, mesmo com esse apanágio de maravilhoso mundo
brasileiro do PT, nesse governo 3,5% de brasileiros ainda passam fome.
Eis
o quadro tempestivo da fome no mundo — fome essa proveniente da condição de
quase pobreza eterna dos habitantes terrestres.
Vejamos
alguns dados que nos dá ma ideia da insensatez da política proveniente desse
furor de progresso e tecnologia.
Metade
da população mundial vive com menos de dois dólares, ou seja, 2,8 milhões, 20%
da população mundial vive com MENOS de um dólar por dia! Já em nosso País,
conforme dados oficiais do Ministério de Desenvolvimento e Combate à Fome, em
2011, informava 16,27 milhões de brasileiros vivem ainda em extrema
pobreza, com renda abaixo de R$70,00!
Não
serão esses os supostos “fazedores de
tudo”? Em entrevista à revista Veja
de 2.09.15 — já escoam onze anos — certo tecnólogo dentre desse grupo de
supostos transformadores do mundo, proclamou que no futuro próximo, máquinas
surrealistas substituirão os atuais artefatos de produção e hão de produzir de
tudo: casas, móveis, produtos de consumo — e quem sabe também seres humanos!!!
Mas
resolverão o problema da fome no mundo?
E como hão de saciar a fome espiritual
dos humanos?
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