sábado, 24 de outubro de 2026

 

                  ELES — OS SAPATEIROS LITERÁRIOS

 




Não há negar — boa parte da suposta intelectualidade brasileira sofre de amnesia cerebral

Ora, que certos cantores se exibam nos palcos e exortem suas afinidades políticas e sociais, para aumentarem seus cachês e agradarem pessoas e elites — que o façam, é normal. Mas certo literato, a empunhar títulos e prêmios literários, por sua verve, vir a público pedir votos para certo candidato, envolvido em ações predatórias da administração pública — é o cúmulo.

O ato não só é abominável, mas também desordenado, a pessoa não  saber conter-se na sua excentricidades, ser aético por fim. Talvez se justifique, pois nossa cultura encontra-se nas mãos de pessoas inaptas e ineptas, a insensatez viralizando em  escolas, universidades, teatros e tudo quando se define como arte, a cênica inclusive — tudo e todos aqueles que a fazem e delas se aproveitam para aderir  ao velho ortodoxo marxismo, chavão que já se perdeu no tempo, expurgo do lixo da história.

Vejam como o País afundou-se na absurdidade desses novos tempos. Que contradição, quando, por exemplo, destacamos nas páginas de nossa história — homens e mulheres de alto nível literário, Monteiro Lobato, João Francisco Lisboa, Érico Verissimo, Cecília Meirelles, Lygia Fagundes Telles.   

Para não nos esquecer de um dos insignes mestres da escritura literária — o velho e impoluto Machado de Assis que soube manejar essa arte com absoluta  eticidade e bonomia, nunca deixando seu estro decair, mesmo vitimado algumas vezes pela inveja de alguns, seus supostos inimigos.

Certa feita, na Grécia antiga, um escultor renomado fazia suas esculturas, mas sempre era criticado, nada menos que por um simples sapateiro. Um dia para provar até onde ia a peçonha ditada pelo sapateiro, ele erigiu uma obra prima de beleza, exibindo-a ao público. Veio o tal sapateiro e colocou defeitos e mais defeitos — Fídias (480 aC), o memorável escultor grego, saltou das sombras e disse: “Sapateiro, nunca critique o que não sabes, tu não passas de um reles fazedor de sapatos!”

Amigo, se segues o caminho do pragmatismo literário, o socialismo barato, cuida apenas do que sabes fazer — coser sapatos literários.

Bsb, 22.10.26

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