DIA DA POESIA
Murilo
Moreira Veras
Pérolas, sonhos,
ungidos de esperança.
São esses meus
poetas-sonhos,
todos ungidos como
platônicos.
Esses meus poetas-sonhos
de todos os tempos.
Tennyson, Byron, Shelley
e o nosso
velho Camões
e seus barões
assinalados, os Lusíadas.
Vallery esgrima sua simetria,
Mallharmé exprime-se em versos áridos,
Enquanto Rimbaud se
perde em chamas.
Ó, poetas, cantais em pleitos de sonhos,
antigos e modernos,
enquanto voejam em
águas modernistas,
a veracidade a golpes
de espada,
Ah, esses trucidadores
de ideias,
vivos ou mortos,
todos nos encantam,
enfrentam e desafiam o
tempo,
atrelados às suas
tramas.
Drummond encontra a
pedra dura
de sua rima,
enquanto Bilac evoca o
brilho das
estrelas e canta
“...Ora direis ouvir estrelas”
Nossa terra quantos os
há?
Por que sabê-los
quantos?
Eles nos assombram e
nos apontam
seus ares e suas quimeras e sonhos
Os poetas — esses
lutadores intrigantes
eles agem e sonham
como setas
voadoras,
Outros se abrigam nas
asas súplices
da esperança.
Adélia Prado e seus
versos crísticos
enquanto ainda ressoa no
tempo
o grito de Castro
Alves
“...Deus, ó Deus, onde estás que
não respondes...”
Ah, poetas, sois como
ecos de espadas
voando por esse vasto
mundo.
Por que fazes, por que
clamas,
porque sonhas?
Eis o Dia da Poesia,
Ó Poeta, ó Vate, onde
tu te escondes.
Teus versos, ontem e
hoje,
ousam sustentar esse
Velho Novo mundo,
eles, os poetas da
razão lúdica.
Esse é seu dia de
aplausos, muita vezes
esquecidos.
Viva os poetas — são
eles, embora inúteis,
que se arriscam em seus versos
o atavismo.
São eles, sim, nossos saltimbancos
de luz
e esperança.
Pois
“...Cessa tudo, enquanto a Musa canta,
que um brado mais alto se alevanta”
Bsb,31.10.26
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