sábado, 31 de outubro de 2026

 

                            DIA   DA   POESIA

 

 

                               Murilo Moreira Veras

 

 Poetas — tenho-os guardados na memória,

Pérolas, sonhos, ungidos de esperança.

São esses meus poetas-sonhos,

todos ungidos como platônicos.

Esses meus poetas-sonhos

                de todos os tempos.

Tennyson, Byron, Shelley e o nosso

                velho Camões

e seus barões assinalados, os Lusíadas.

Vallery esgrima sua simetria,

Mallharmé  exprime-se em versos áridos,

Enquanto Rimbaud se perde em chamas.

Ó,  poetas, cantais em pleitos de sonhos,

                antigos e modernos,

enquanto voejam em águas modernistas,

a veracidade a golpes de espada,

Ah, esses trucidadores de ideias,

               vivos ou mortos,

               todos nos encantam,

enfrentam e desafiam o tempo,

atrelados às suas tramas.

Drummond encontra a pedra dura

                de sua rima,

enquanto Bilac evoca o brilho das

               estrelas e  canta

“...Ora direis ouvir estrelas”

Nossa terra quantos os há?

Por que sabê-los quantos?

Eles nos assombram e nos apontam

              seus ares e suas quimeras e sonhos

Os poetas — esses lutadores intrigantes

eles agem e sonham como setas

                voadoras,

Outros se abrigam nas asas súplices

                da esperança.

Adélia Prado e seus versos crísticos

enquanto ainda ressoa no tempo

o grito de Castro Alves

“...Deus, ó Deus, onde estás que

não respondes...”

Ah, poetas, sois como ecos de espadas

voando por esse vasto mundo.

Por que fazes, por que clamas,

               porque sonhas?

Eis o Dia da Poesia,

Ó Poeta, ó Vate, onde tu te escondes.

Teus versos, ontem e hoje,  

               ousam sustentar esse

               Velho Novo mundo,

eles, os poetas da razão lúdica.

Esse é seu dia de aplausos, muita vezes

               esquecidos.

Viva os poetas — são eles, embora inúteis,

               que se arriscam em seus versos

               o atavismo.

São eles, sim, nossos saltimbancos de luz

               e esperança.

Pois

“...Cessa tudo, enquanto a Musa canta,

que um brado mais alto se alevanta”

                

                      Bsb,31.10.26

 

 

 

 

          

 

 

 

 

 

 

 

 

            

 

 

  

                 

 

 

 

 

 

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